A pedido de centenas de pessoas que passam diariamente por aqui (professores e estudantes universitários) pedindo para que publicássemos mais coisas sobre a Psicologia do trânsito, resolvi inaugurar uma série (Transitando) que discutirá alguns conceitos básicos sobre o trânsito e dados de pesquisas na área. O texto de hoje é um passo importante para discutirmos o que é o trânsito, como metodologias e procedimentos alternativos para torná-lo  mais eficiente e seguro.

O Código de Trânsito Brasileiro (LEI Nº 9.503, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997) define trânsito em seu Art. 1º, como:

§ 1º Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga.

E ainda, quanto aos direitos individuais e coletivos, § 2º O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito.

 Segundo Batista (1985), o fenômeno “trânsito” é produzido a partir de comportamentos de indivíduos e de seus efeitos no ambiente, sendo que este ambiente, por suas características físicas, possibilitaria a ocorrência de certos comportamentos impedindo a ocorrência de outros.

Rozestraten (1988) afirma que o trânsito é “o conjunto de deslocamentos de pessoas e veículos nas vias públicas, dentro de um sistema convencional de normas, que tem por fim assegurar a integridade de seus participantes ”(ROZESTRATEN, 1988, p.4)

E prossegue afirmando que: O sistema funciona através de uma série bastante extensa de normas e construções e é constituído de vários subsistemas, dentre os quais os três principais são: o homem, a via e o veículo. O homem aqui é o subsistema mais complexo e, portanto, tem maior probabilidade de desorganizar o sistema como um todo (ROZESTRATEN, 1988, p.5)

 Para Vasconcellos (1998) o trânsito é o conjunto de todos os deslocamentos diários feitos pelas calçadas e vias da cidade, e que parece nas ruas na forma da movimentação geral dos pedestres e veículos.

Segundo Martinelli, Chequer & Bullerjhann (2007 a, b), o trânsito poderia também ser definido como a inter-relação de contingências entrelaçadas em que comportamentos individuais e práticas culturais da produção e uso do ambiente físico e social, estão associados direta e indiretamente à mobilidade humana.

O trânsito não pode ser encarado simplesmente como um problema técnico, mas deve ser visto como uma questão social e política, pois está intimamente relacionado com as características da sociedade e com modelo de gestão econômico adotado. De acordo com Vasconcelos (1998), para compreender o trânsito não é suficiente discutir os problemas do dia-a-dia, como congestionamentos e acidentes, faz-se necessário também analisar a forma como as pessoas dele participam, os seus interesses e necessidades.

No perímetro urbano das cidades são realizadas milhares de viagens por dia com motivos e meios de transporte variados. Os motoristas ao circularem pelas ruas tendem a fazer o percurso o mais depressa possível sem interrupções de pedestres, ciclistas e motociclistas. Quando um pedestre se desloca pelas ruas, talvez deseje fazê-lo de forma mais rápida, segura e acessível, contando com uma melhor “fluidez” na sua passagem. Passageiros de ônibus necessitam de um transporte público eficiente, seguro, e com um ponto de ônibus próximo ao seu local de interesse para embarque e desembarque. No decorrer de suas viagens, as pessoas no trânsito mudam seus objetivos, ora desejam segurança, acessibilidade, rapidez ou várias coisas ao mesmo tempo (BULLERJHANN, 2006).

REFERÊNCIA PRINCIPAL:

Madeira, I. E. C. (2009). Perfil das hospitalizações no ano de 2008 decorrentes de acidentes de trânsito na cidade de Governador Valadares/MG. Monografia, Universidade Vale do Rio Doce, Governador Valadares.

REFERÊNCIAS ADCIONAIS:

BATISTA, C. G. Estudo observacional das Relações Comportamento/ambiente no Trânsito. Psicologia & Trânsito, Uberlândia, 1, 1, p 6-19.1985.

BRASIL. Lei nº. 9.503, de 23 de setembro de 1997. Código Nacional de Trânsito. Disponibilidade: http://www.denatran.gov.br/ctb_compilado.htm, Acessado em: Nov de 2009.

BULLERJHANN, P.B.Conhecendo a metodologia empregada nos estudos sobre acidentes de trânsito no Brasil: Um estudo no banco de dados da Scientific Eletronic Library online(Scielo) Saúde Pública.2006.74f. monografia – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Vale do Rio Doce, Governador Valadares, 2006.

MARTINELLI, J.C.M; PEREIRA, C.M.; CHEQUER,M.A.A; BULLERJHANN, P.B – Acidentes automobilísticos e aspectos comportamentais e ambientais relacionados no período de janeiro a dezembro de 2007, na cidade de Governador Valadares/MG; Universidade Vale do Rio Doce, Governador Valadares, MG, 2007.

ROZESTRATEN, R. J. A. Psicologia do Trânsito: conceitos e processos básicos. São Paulo: EPU: Editora da Universidade de São Paulo. 1988.

VASCONCELOS, E. A. O que é trânsito? 3ª Ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1998.

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