O post dessa noite é de Marcos Berto, Jornalista, Compositor e escritor além de ser um grande amigo. Fiquei surpreso logo pela manhã quando fui apresentado a este texto. Ele nos faz compreender a relação do comportamento com o tempo. Vale a pena conferir. O seu endereço eletronico é http://www.marcosberto.blogspot.com

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Era eu um menino cativo em meus sonhos. Via o mundo como uma roda gigante, que sempre girava para satisfazer o prazer de uma brincadeira. Encantava-me com as coisas mais simples. Pela cor azul da bolinha de gude e a natureza divertida do palhaço. Dentro do meu próprio círculo aprendi muitas coisas. A cantar, a brincar, a dançar, a sorrir, a amar e chorar. Tinha como professores os mais nobres reis e rainhas que me passaram os seus mais plenos saberes e filosofias. Ensinaram-me tudo que uma criança precisava saber, mas não me ensinaram a crescer. A sensação de tornar-me maduro doía e pesava-me a falta de não saber do futuro. Um dia, eu estava sentando na beira da estrada de minha casa e um senhor de muita idade, já com barbas brancas, vinha caminhando. Ele parou diante de mim e questionou meu olhar triste e cativo no horizonte. Eu não pude resistir a sua voz firme, rouca e grave, que me impressionou no primeiro instante. Então ali mesmo lamentei a minha dor. Disse-lhe que não sabia crescer e que ninguém havia me ensinado. Estranhei quando aquele homem chamou-me pelo nome e falou que minha preocupação era tola. Muitas coisas nos eram ensinadas, mas outras aprendíamos sozinhos e crescer era uma delas. Aquilo me surpreendeu, mas antes que eu o notasse, ele estava mais perto e sussurrou como vento em meu ouvido:

– Crescer é a grande arte de viver. Não só em tamanho, mas também como ser – humano. Crescemos devido às situações que passamos e se formos inteligentes iremos aprender com cada uma delas.

O meu corpo paralisou e não havia um fio de cabelo que não estivesse arrepiado. Um silêncio enorme se fez naquele momento. Mas ainda doía e por impulso eu o perguntei:

– Mas e essa dor que sinto?

Ele olhou para o céu, apontou o dedo para uma ave e disse:

– Esta vendo aquele pássaro? Quando ele desaparecer atrás da montanha a sua dor irá passar.

Mais uma vez fiquei preso em meus pensamentos. Pensava em tudo que aquele velho senhor me dissera. Ali parei por alguns minutos. Quando novamente voltei meus olhos para a estrada, ele já estava longe. Então percebi a gafe que eu tinha cometido. Não havia perguntado o nome daquele homem que me ajudara tanto com suas palavras. Novamente, por impulso gritei:

– Qual o seu nome meu senhor?

Ele sem olhar para traz continuou a andar, mas respondeu em alta e sonora voz:

– Ora meu jovem. Você não sabe mesmo? O meu nome é Tempo.

 Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu. (Eclesiastes 3:1).      

 Marcos Berto

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