O texto de hoje é de um Psicanalista e um grande Amigo: Lucas Nápoli. Esse texto é fantástico, só podia ter saído do cérebro dele rs…. e como gostaria que os leitores desse blog também o lessêm, pedi autorização ao autor, caso gostem e queiram parabenizá-lo o link dele é http://lucasnapoli.wordpress.com , eis ai o texto!

mulheres

Mulheres

by Lucas Nápoli – http://lucasnapoli.wordpress.com

 Com o perdão do pleonasmo implícito, uma das características mais marcantes dos seres humanos é a crença em ilusões – e nesse terreno os machos da espécie caminham com uma destreza inigualável. Dia desses na mesa do boteco, sujeito me sai com a pérola:

– Hoje em dia, para se ter um bom sexo não é preciso mais pagar. As mulheres de hoje dão de graça!.

Após doze cervejas de mulher, futebol e dinheiro (não necessariamente nessa ordem) chegara a hora dos assuntos mais elevados. O cerebelo em frangalhos estimulava-nos a densas conversas filosóficas, antropológicas e botecológicas. E após um breve minuto de silêncio (de reflexão, diga-se de passagem) sujeito bate na mesa e grita aquela balbúrdia?! Onde já se viu sair por aí renegando o elemento “meretrístico” presente em cada alma feminina deste planeta!?

            As profissionais da fornicação que me desculpem, mas vocês só souberam transformar a coisa toda em um lucrativo meio de vida. E as demais Marias não pensem que estou desmerecendo-as, afinal se não fosse pelo desejo de vocês por algo mais do que um corpo de homem nós ainda estaríamos tentando inventar a roda. Cá pra nós, se o sexo com vocês fosse tão fácil quanto pensa meu nobre camarada eu não iria perder meu tempo estudando, correndo atrás de estágios, pensando em mestrado, doutorado e o escambau. Nem mesmo estaria escrevendo este texto. Nós, mantenedores da Gilette, sabemos fingir muito bem! Acaso pensam que nos interessamos de verdade por carros, livros, dinheiro? É óbvio que não! Tudo o que nós queremos são vocês. Essas coisas são meros passaportes, apenas os ingressos para o fantástico mundo do corpo feminino.

            Se vocês não tivessem uma bela mulher de vida fácil escondida nos recônditos de vossa alma, não precisaríamos de todas essas coisas. Realizar-se-ia então a maravilhosa ilusão do meu companheiro. Até posso imaginar como seria um dia normal no mundo em que isso fosse realidade. Caboclo vê a garota gostosinha na frente do supermercado e diz:

            – E aí, vamos transar?

            E ela:

            – Claro. Na sua casa ou na minha?

            Já pensou? Fim dos tempos!!! É bem verdade que em épocas anteriores, o preço do “programa” com vocês era bem alto. Tínhamos que escrever longas cartas exaltando todas as partes da alma de vocês – e também do corpo, com exceção das partes que verdadeiramente queríamos; precisávamos pedir a mão das senhoritas no mínimo duas vezes – uma pra namorar e outra pra casar – ao rabugento do pai de vocês, que tinha a estranha mania de nos olhar por cima dos óculos com cara de poucos amigos quando nossas mãos embobeciam. Enfim, outrora tínhamos que arrumar um bom emprego (de preferência como concursado, pra dar garantia de futuro), namorar uns bons anos, noivar e, o preço mais alto: tínhamos que casar com vocês…

            Hoje, talvez pela queda do dólar e a baixa na inflação, vocês diminuíram muito o valor da transação (com o perdão do trocadilho). É claro que algumas de vocês, em função da baixa procura pelos serviços, têm realizado liquidações periódicas. Nesses casos o consumismo fala mais alto e alguns de nós lembram vocês em liquidação de boutique. Em todo caso, sempre haverá um preço e como o produto é de necessidade básica sempre também haverá quem compre.

            Aquele meu camarada, ao acabar de dizer a frase que me levaria a todas essas reflexões econômico-sexuais, tentou nos convencer de sua assertiva dizendo que antes de vir para o bar havia encontrado uma “menina-gata-parece-a-Juliana-Paes” no shopping, a qual após um breve diálogo ao pé do ouvido, topou ir para o motel com ele.

            – Estão vendo, disse ele, as mulheres hoje em dia estão dando igual chuchu. Daqui a alguns anos as putas irão à falência…

            Nisso chega o garçom com a conta. Sessenta reais. Éramos quatro na mesa. Quinze reais pra cada um.

            – Não, não, disse o iludido quando fazíamos menção de tirar as carteiras dos bolsos, hoje é por minha conta!

Nunca havia visto o sujeito ficar tão vermelho e suado como naquele sábado. Na segunda-feira ele ainda dizia:

            – Mas eu tenho certeza de que tinha noventa reais na carteira! Só pode ter sido aquela vagabunda!

            A fatura. Atrasada mas viera. Comprara gata por lebre.

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