fé

Muitos antropólogos, sociólogos e Psicólogos compartilham da idéia de que a Religião é a salvação ou o fim de todos os males da humanidade. Tal postura é adotada na medida em que observamos o poder coercitivo que ela trás aos seus praticantes caso eles não cumpram as normas por ela estabelecidas, nesse caso são considerados pecadores o que infligirem tais regras.  A religião assumiria um papel reorganizador desse caos social.

Porém, nos dias de hoje são raras as vezes que vemos esse discurso coercitivo na boca dos líderes religiosos, a maioria abandonou o discurso da salvação em troca dos títulos de “capitalização”. O que eu quero dizer com isso? Com essas palavras, afirmo que a coerção (vide SIDMAN) afasta as pessoas, isso não é suposição, é fato.  Nessa perspectiva as igrejas estavam ficando cada vez mais vazias, pois a promessa de um reforçador, nesse caso o céu, estava ficando cada vez mais distante, pois a promessa da volta de Cristo perpassa 2.000 anos, logo os reforçadores imediatos ou “os prazeres mundanos” competiam com a promessa de uma vida eterna. Assim, a única solução encontrada foi trazer para o discurso religioso aquilo que pudesse satisfazer de imediato as pessoas, nesse caso as promessas de uma vida de riqueza e prosperidade, a conquista de um bom casamento e relacionamentos duradouros, carros, mansões e curas instantâneas.

Toda essa pequena introdução foi para destacar o que me incomoda: O SHOW BUSINESS RELIGIOSO. Não quero reduzir o poder de Deus e nem sua capacidade, pois não cabe a Psicologia explicá-lo, pois isso é objeto de estudo da Teologia, mas quero alertá-lo quanto aos “charlatões” que geram na maioria das pessoas comportamentos supersticiosos e que hoje em dia se parecem com os curandeiros das tribos indígenas.

Quem tem o hábito de assistir televisão vê diariamente propagandas que tratam de campanhas milagrosas capazes de curar as pessoas instantaneamente só pelo exercício da fé. Não quero reduzir a sua fé caro leitor, nem reduzir o poder de Deus em operar milagres, mas quero protestar contra essas campanhas religiosas, visto que tratam Deus como um mero objeto a ser vendido. A resposta a essa equação é simples, se Deus é um ser superior a todos os outros, logo ele tem autonomia própria, podendo agir quando quer e da forma como quiser. O que acontece é que os “curandeiros religiosos” marcam reuniões dizendo que ocorrerão grandes milagres, como se Deus fosse obrigado a realizá-los na data marcada e da forma como o pregador quer, ou seja, é só deixar tudo agendado com Deus que na hora dá certo; não é bem assim que a banda toca. O mais interessante em meio a essas reuniões é a quantidade de comportamentos supersticiosos que são gerados. As pessoas freqüentam as reuniões em uma noite, as contingências mudam no dia seguinte e elas atribuem à noite anterior como milagrosa, isso é fantástico. Isso sem contar uma série de adivinhações e revelações que são soltadas aleatoriamente por esses charlatões que não fazem da religião algo serio, não digo todos, pois há gente boa nesse negócio; mas há aqueles que tem a cara de pau de dizer “ Deus está me mostrando, mas eu não sei o que é ”, espera aí se ele te mostra e você não sabe o que é, logo ele não está mostrando, certo?

Em meio a esse bando de enrolação a fama vai crescendo e se disseminando em meio ao povo, isso faz com que as igrejas lotem cada vez mais, todos em busca de uma receita milagrosa que os farão mais felizes, ou seja, os reforçadores imediatos. Caso o milagre não aconteça na hora e com aquele curandeiro as pessoas saem decepcionadas. Hoje em dia ninguém quer sentar em um banco de uma igreja e ouvir o pastor ou padre dizer que se você pecar será punido pelos seus atos. O discurso agora é o verbo “dar” que por sinal bastante pejorativo, Deus vai te dar meu amigo, basta ter fé, só isso.

            Mediante a essa explanação pergunto: será a religião atual um bem benéfico a sociedade? Que tipos de pessoas estão sendo geradas a partir do contato com comportamentos supersticiosos?

Diante de todos esses fenômenos, como fica essa jovem ciência chamada Psicologia? O que os psicólogos têm a dizer? O que eles têm a aprender? Como tratar desse homem que perdeu a bússola da vida? É com o objetivo de discutir essas e outras questões que apresentamos o XIV Seminário de Psicologia do Leste Mineiro, você caro leitor que se interessa pelo assunto, sinta-se convidado, em breve as inscrições estarão abertas, um forte abraço!

 “Se Deus é uma metacontingência, ele não deve ser reduzido a rituais supersticiosos ou contingências acidentais”. Igor Madeira

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