Meus nobres e caríssimos leitores, o post de hoje faz parte de uma sequência que provavelmente você vêm acompanhando no decorrer das semanas. Quero tratar aqui do “mal” que assombra toda a sociedade: o dinheiro, vulgo capilé, faz me rir, grana, pagode e etc… seja lá o nome que você atribui a ele.

Não quero falar desse tema abordando os aspectos da crise mundial, porque isso todo mundo está “careca de saber”, mas retratá-lo em uma perspectiva comportamental, ou seja, como o dinheiro tem o poder de influenciar a minha e a sua vida, inclusive nas escolhas amorosas que fazemos (não estou querendo generalizar, mas isso é um determinante)

As pessoas vivem dizendo por ai que dinheiro não traz felicidade, mas o leitor está convicto de que é melhor viver infeliz rico e com o bolso farto, do que ser infeliz e pobre, certo? Na verdade, o dinheiro não traz felicidade, ele simplesmente a compra. Certamente, algum dia vocês devem ter se assustado ao ver um Senhor de 70 anos com uma garota de 23, ou vice-versa. Quem é que nunca se perguntou: O que aquele jogador de futebol tem ou possui que ele namora as mulheres mais lindas do cenário nacional? (não precisamos nem citar exemplos).

Alguns mais audaciosos vão dizer que é a beleza interior, mas eu afirmo: “quem gosta de beleza interior é decorador e arquiteto”. Os princípios da Análise do Comportamento pressupõem que as causas internas de um fenômeno devem ser compreendidas a partir do momento que olharmos as causas externas, resumindo, ignore as causas internas como um agente causador e observe somente o que vem de fora.

Partindo desses princípios o que nos resta analisar como causa externa é o dinheiro, ou os reforços que dele provêm. Lendo essa semana o artigo “o comportamento-não verbal do flerte”, percebi algo muito interessante e que merece ser destacado. A autora faz uma comparação dos relacionamentos amorosos com a teoria da evolução proposta por Darwin; segundo ela, é de primordial importância que as fêmeas selecionem de forma adequada seus parceiros, e que coube a elas no decorrer da história essa árdua tarefa de selecionar o macho adequado para perpetuar sua prole. Bem, Darwin disse que a espécie mais adaptada ao ambiente é a que teria mais probabilidades de sobreviver e gerar seres adaptados a exigência do novo ambiente. Compartilha a idéia de que o homem e o macaco possuem um ancestral em comum e que ao longo da evolução genética eles foram se diferenciando.

– Mas o que isso tem a ver com “Amor que nada… Ações Reforçadoras ou recompensadoras”?

A prerrogativa dessa teoria é muito simples e de fácil compreensão. Vivemos em mundo capitalista onde para sobrevivermos é necessário que tenhamos uma moeda de troca capaz de nos gerar prazeres, tais como: alimentos, calçados, vestuários e etc. Aqueles que não possuem dinheiro, raramente conseguem viver e se adaptar a essa selva capitalista; a maioria desprovida da moeda de troca ou os que a possuem em pequena quantidade, não vivem e sim ” sobrevivem”, devendo contar com a compaixão dos outros e do auxílio do governo. Se olharmos sob uma ótica evolucionista, chegaremos em comum acordo de que o ambiente selecionará ao longo dos anos somente aqueles que conseguirem sobreviver e adaptar a essa nova exigência ambiental, portanto meu caro, só sobreviverá aquele que tiver dinheiro suficiente para se manter.

Nesse aspecto, podemos relacionar esses princípios à “perpetuação da espécie”, onde somente o mais forte conseguirá disseminar sua prole, pois caberá a fêmea o papel de seleção, ou seja, só conseguirá constituir uma família os homens que conseguirem ter uma boa condição econômica. Você deve estar achando tudo isso um tremendo absurdo, dizendo em seus comportamentos pré-correntes (pensamento) que o amor supera todas as coisas, eu afirmo que o amor não supera, aliás “amor ” é uma adjetivação à uma série de comportamentos externos e que ele não provém de dentro do homem, mas sim de fora. O friozinho que você diz sentir na barriga quando vê a pessoa amada, não passa de alterações fisiológicas geradas no seu organismo por um estímulo externo a você.

Ser humano nenhum ama uma pessoa internamente, mas ama aquilo que ela faz ou a estimulação dela provinda, e a isso eu chamo de reforçadores, ou sistema de recompensas. Alguns dos leitores conseguiriam amar Alexandre Nardoni ou Ana Carolina Jatobá? Por que não? Porque eles são pessoas más? Logo, o critério de amor está ligado à aquilo que as pessoas fazem, suponha que o casal não assassinasse a inocente Isabella e doasse 2 milhões de reais para uma instituição carente? O leitor há de convir comigo que eles seriam amados por 90% das pessoas. Por que é tão fácil amar celebridades como Pelé, Silvio Santos e tantos outros? Porque obviamente eles se comportam de modo efetivo a gerar prazeres na comunidade.

Partindo de tais pressupostos de que para amar e ser amado é necessário uma emissão de comportamento que seja reforçadora, ou recompensadora que gere em nós uma sensação de “prazer”, podemos concluir que o amor que você vê ou diz sentir é uma relação de interesse pessoal, onde as pessoas buscam nas outras algo em que elas possam ser reforçadas, o amor é egoísta, nós só estamos com as pessoas porque elas causam em nós uma sensação de “prazer”, perceba como tudo é voltado para o nosso ” eu”, o amor é egocêntrico. Um presente que você dá a uma pessoa, espera-se que ela lhe recompense por isso, nem que seja com um único e singelo elogio, uma demonstração de afago, um beijo, um abraço e etc… caso ela não o faça, você certamente a chamará de mal educada, egoísta ou ingrata.

Assim podemos compreender porque a maioria dos homens que possuem uma condição econômica elevada conseguem ser cobiçado pela maioria das mulheres, ou vice e versa, porque detrás do que chamamos amor, há o poder reforçador do status social e o prazer consumista que o dinheiro é capaz de proporcionar, caso essa pessoa não possua uma condição econômica favorável, procure verificar quais os comportamentos que ela emite, ou aquilo que ela faz que causam em você as sensações de prazer(aqui podemos incluir a beleza exterior) e perceba que tudo aquilo que você faz em relação ao seu parceiro é sempre esperando algo em troca, ou seja, esperando que seu comportamento seja reforçado pela pessoa amada e que ele se mantenha por muito tempos nessa relação interesseira, egocêntrica e capitalistas. Que me perdoem os mais conservadores, mas o que considero como amor é isso que vocês acabaram de ler. Caso tenham dúvidas, recomendo que leia o Texto de Skinner “O lugar do sentimento na Análise do Comportamento”.

Referências Bibliográficas:

SKINNER, B.F. Ciência e comportamento humano. Trad. João Carlos Todorov e Rodolfo Azzi. 6ªed. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2000.

____________. Questões recentes na análise comportamental. Campinas, SP: Papirus. 1991.Cap.1

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