B.F.Skinner - Fundador do Behaviorismo Radical
B.F.Skinner – Fundador do Behaviorismo Radical

O Behaviorismo Radical foi fundado por B.F.Skinner por volta de 1945, e tem como objetivo focalizar a relação entre a pessoa se comportando, as condições ambientais onde o comportamento ocorre e as conseqüências de tal comportamento. Segundo CHIESA (2006, p.189) “os behavioristas radicais consideram o comportamento como um fenômeno que acontece naturalmente, suscetível a uma análise científica sem recorrer às confusões conceituais das concepções metafísicas ou às pressuposições filosóficas inerentes à filosofia ocidental”.

O sistema Skinneriano diferencia-se das outras abordagens da psicologia por considerar a relação mútua entre o comportamento e o ambiente como o objeto de estudo, enfatizando sempre o papel dos acontecimentos ambientais na manutenção e modelagem de tais comportamentos. Diferenciam-se também por desprezar o sistema mecanicista, não apelando para eventos mediadores, como cognição e sistema nervoso; o comportamento se dá em função de contingências complexas, ao invés de uma função de reflexos adquiridos de estados internos do organismo. Nesse sentido, somos provindos da interação social, isto é, da modelagem dos termos lingüísticos trazidos pela comunidade. Quando a isso BLACKMAN (1991) apud CHIESA (2006) argumenta que “o behaviorismo radical tem muito em comum com alguns aspectos da psicologia social e que a combinação das suas preocupações sociais e biológicas preenche a lacuna que vem dividindo tradicionalmente essas duas disciplinas”.

O comportamento para o Behaviorismo Radical é considerado como aquilo “que o organismo faz”, ou seja, refere-se à atividade do organismo em interação com o seu ambiente. Tal interação inclui a atividade dos músculos lisos e estriados. Aquilo que o organismo faz é visto como “voluntário”, quando envolve o uso da musculatura estriada. De outro lado, o comportamento que utiliza a musculatura lisa é considerado como involuntário. Segundo DE ROSE (2001, p.82)

“Na linguagem cotidiana, frequentemente nos referimos aos comportamentos que envolvem a musculatura estriada como comportamentos voluntários, enquanto denominamos involuntários aqueles que envolvem a musculatura lisa e as glândulas”.

Adotando um sentido mais complexo, Skinner modificou a classificação de voluntários e involuntários para comportamentos operantes e respondentes (ou reflexos). De uma forma bem simples, podemos compreender o comportamento respondente ou reflexo como àquele eliciado por um estímulo, ou seja, uma resposta ocorre sempre em função de um estímulo antecedente. Quanto à isso MACHADO (2005,p.13) afirma:

” Vale lembrar que o reflexo não é nem o estímulo nem a resposta separadamente, mas a relação entre ambos. Assim, o comportamento reflexo não se limita à determinada resposta, mas a relação desta com o estímulo eliciador. A resposta de mover o braço bruscamente não deve ser classificada como comportamento reflexo, mas sim a relação estimulação por uma agulha – retirar o braço rapidamente. Desta forma, somente uma análise que contemple ambos os componentes desta relação poderá oferecer dados mais precisos sobre o comportamento em questão”.

Os comportamentos operantes segundo DE ROSE (2001, p.82-83) “… modificam o ambiente e essas modificações no ambiente levam, por sua vez, a modificações no comportamento subseqüente. Denominamos esses comportamentos de operantes, para enfatizar que eles operam sobre o ambiente”. Assim, podemos entender que as conseqüências de tal comportamento é que determinarão a probabilidade de sua ocorrência futura. Para ilustrar tal fato Skinner cita em seu Livro “Ciência e Comportamento Humano” um experimento de Thorndike:

Se um gato for colocado em um alçapão do qual só pode escapar abrindo uma porta, exibira muitos tipos diferentes de comportamento, alguns dos quais serão eficazes no abrir a porta. Thorndike verificou que, quando o gato já tinha colocado no alçapão repetidas vezes, o comportamento que o levava a escapar tendia a ocorrer mais rapidamente até chegar a um ponto em que a fuga era mais simples e rápida possível. (…) Descreveu seus resultados simplesmente dizendo que a parte do comportamento foi-se ‘estabelecendo’ porque era sempre seguido pela abertura da porta. (SKINNER, 1953/2000, p.65)

Em relação a esse aspecto, MACHADO (2005.p.14) completa dizendo:

“O controle da resposta pela conseqüência não significa a inexistência de estímulos antecedentes no comportamento operante. Estes estímulos antecedentes, contingentes à determinada resposta e conseqüência, recebem o nome de Estímulos Discriminativos”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CHIESA, M. Behaviorismo Radical: A Filosofia e A Ciência. Trad. Carlos Eduardo Cameschi. Brasília, DF: Celeiro, 2006.

DE ROSE. O que é comportamento? In: BANACO, R.A. (org). Sobre Comportamento e Cognição, vol. 1. Santo André, SP: ESETec, 1ª ed.2001. Cap.9 p.80-84.

MACHADO, A.R. Formação de Classes funcionais de acordes musicais. 2005.64 p. Monografia. Psicologia – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Vale do Rio Doce, Governador Valadares, 2005.

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