O controle de estímulo e o treino discriminativo

A terminologia “controle de estímulo” se refere à influência dos estímulos antecedentes sobre o que o organismo faz, ou seja, o efeito que um determinado contexto tem sobre o comportamento. Apesar do principal determinante do comportamento operante ser a conseqüência por ele produzida, ele não ocorre no vácuo, visto que os eventos antecedentes também influenciam a probabilidade de sua ocorrência.

       Tal influência dos estímulos antecedentes se dá pela relação que possuem com as conseqüências do responder. Os estímulos associados ao reforço aumentam a probabilidade da ocorrência do comportamento, conquanto que os estímulos que sinalizam a extinção ou a punição diminuem a probabilidade do comportamento quando tais estímulos forem apresentados. Segundo Baum (1999, p.111) “frequentemente na vida nos empenhamos em seqüência de comportamentos, fazendo uma coisa a fim de poder fazer outra”. Essa cadeia de comportamentos é baseada e mantida pelo reforço último. O controle de estímulos é fazer que um estímulo controle o comportamento, fazer com que este mude diante da presença do estímulo.

       Anteriormente foi definido que o comportamento operante é aquele que produz mudanças no ambiente e que é afetado por elas. Assim, quando inserimos uma nova variável (o contexto), passamos a falar sobre os comportamentos operantes discriminados, ou seja, aqueles que se emitidos em um determinado contexto, produzirão conseqüências reforçadoras. Dessa forma, os estímulos conseqüentes cuja apresentação aumenta a probabilidade de um comportamento, recebem o nome de reforço. Porém aqueles estímulos que são apresentados antes do comportamento e controlam sua ocorrência são considerados estímulos discriminativos “Sd”. Ao inserimos os Estímulos Discriminativos nas contingências temos a unidade básica de análise do comportamento operante, Skinner denominou esse processo de Tríplice Contingência. A Tríplice contingência pode ser explicada pela seguinte Expressão “Sd – R – C” ou “S – R – C”

        Os estímulos discriminativos “SdS” sinalizam que uma dada resposta será reforçada caso ocorra um determinado comportamento, ficando claro que o Sd tem uma relação intima com as conseqüências. Os Ss sinalizam que uma resposta não será reforçada, ou seja, sinalizam a indisponibilidade do reforço ou sua extinção. Segundo Reese (1975, p.28)

 “… a discriminação se estabelece pelo fato de um comportamento ser reforçado na presença de uma situação estimuladora e não ser na presença de outra situação estimuladora, processo esse chamado de ‘reforçamento diferencial’”.

        A “Discriminação de estímulos”, conforme Cabral e Nick (2003, p.80), é o “processo de decompor ou controlar generalizações. [...] Assim um organismo é capaz de discriminar entre dois estímulos diferentes quando responde diferentemente a cada um deles”.

       Partindo desses princípios dizemos que o controle discriminativo de estímulos foi estabelecido quando um determinado comportamento tem alta probabilidade de ocorrer na presença do Sd e baixa probabilidade de ocorrer na presença do S. Aprendemos a discriminar os estímulos, pois passamos por um processo chamado treino discriminativo, no qual consiste em reforçar um comportamento na presença de um Sd e extinguir na presença de um S. É importante frisar que embora o Sd assuma uma importância na tríplice contingência, ele não tem a função de eliciar uma determinada resposta, apenas fornecer um determinado contexto, dando chances para que as respostas ocorram.

11 respostas para O controle de estímulo e o treino discriminativo

    • Olá Neide, as dúvidas que você tem em relação aos conceitos de Análise do Comportamento, são muito extensos para eu te explicar em um único posto, sugiro que você procure ler as seguintes biliografias, pois lá você encontrará alguma dessas terminologias.

      Aprendizagem – Linguagem, Comportamento e Cognição de C.A. Catania;

      Sobre Comportamento e Cognição volume 1 e 2;

      Princípios Básicos de Análise do Comportamento de Márcio Borges Moreira

      Sobre o Behaviorismo – B.F.Skinner

      Análise do Comportamento – Pesquisa, Teoria e Prática de Josele Abreu Rodrigues e Michela Rodrigues Ribeiro.

  1. Por favor eu quero que voce fale por favor de terapia de contigencias por reforçamento Muito Obrigada Patricia GOSTEI MUITO DO SEU SITE PERFEITO MUITO BEM EXPLICADO

  2. Pingback: Os números de 2010 | Igor Madeira

  3. Olá Igor, Estou no 4° semestre de Psicologia,
    e não conseguia entender mto bem esse negócio de tríplice contigência, mas dpois que visitei este site, confesso que ficaram mais claras.
    Gostei mto do site e da maneira simples e fácil que vc explica!

    • Ei Juliana, fico feliz pelo seu comentário. Na verdade, digo isso aos meus alunos na UFES: ” Análise do Comportamento não é fácil “. Infelizmente são muitos termos técnicos, mas tento na medida do possível torná-los claro para as pessas que passam por aqui, mas sem perder a essência daquilo que Skinner propôs. Forte Abraço !

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